Apoio a cidadãos com necessidades especiais.

Se há instituição que identificou a questão da deficiência é a União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Joaquim Guardado *

Os três presidentes que serviram e servem as Misericórdias estão intrinsecamente ligados à criação e administração dos centros de apoio a deficientes da UMP.

Em 1989 foi inaugurado o Centro João Paulo II, em Fátima, por Virgílio Lopes. Em 2001 inaugurou-se o Centro Santo Estevão, em Viseu, por Vítor Melícias, e em 2013 foi inaugurado o Centro Luís da Silva por Manuel de Lemos.

As Misericórdias que se unem na UMP têm tido também a capacidade técnica, a experiência de proximidade e de acompanhamento real das pessoas para ajudar à dignidade do ser humano, no tratamento e acolhimento de deficientes.

Permitam-me que vos fale do Centro João Paulo II. O facto de ocupar o cargo de administrador–delegado, já há alguns anos, deu–me a experiência para dar-vos conta desta “casa mágica” que procura dar uma vida mais digna aos que estão institucionalizados.

O Centro João Paulo II tem como missão cuidar de crianças, jovens e adultos, portadores de multideficiências. Tem capacidade para acolher 192 utentes e a sua equipa técnica é composta por cerca de 210 colaboradores.

Procuramos garantir os cuidados para uma melhor qualidade de vida, com estimulação das capacidades e aptidões, procurando desenvolver atividades lúdicas e
de reabilitação.

Tem havido a nível nacional a intenção de que o futuro dos deficientes seja focado na inclusão, acessibilidades e participação, com o objetivo de conseguir o melhor bem-estar em todos os aspetos da sociedade. Tudo isto apoiado por legislação e uma crescente consciencialização sobre a importância e um mundo mais equitativo e inclusivo para todos. Só que no caso dos utentes do Centro João Paulo II não é possível cumprir comestes princípios. Menos de 10%dos utentes frequentam o ensino, outros praticam boccia e só uma utente tem um trabalho num hotel, com menos carga horária.

Os nossos utentes, por serem deficientes profundos, não tem possibilidade de se integrar na sociedade, quer com atividades ou em emprego e ingressam no nosso centro por decisões dos tribunais ou por colocação solicitada pela Segurança Social.

A maior parte ou não tem família, ou tendo, não tem possibilidades de os apoiar. Poucos têm família que os visitam e que dão o apoio possível. Mesmo assim, sou tutor e acompanhante de maior de mais de 105 utentes, não havendo por isso qualquer comparticipação familiar.

Os nossos utentes irão manter-se nesta instituição até ao final dos seus dias, mas temos uma certeza: garantimos os seus direitos, procurando proporcionar o máximo de bem-estar e qualidade de vida.

É preciso reforçar o prestígio que os centros da União detêm, com vantagem para todos nomeadamente para os utentes. É por isso que em boa hora a União das Misericórdias, propõe criar uma fundação que terá por fim melhorar a gestão das nossas ‘Anexas’. É tempo de agir. É fundamental que se opte por uma fundação para gerir esses equipamentos, mantendo a unidade destas, assegurando um forte cordão umbilical com a União. É altura de agir, de preparar o futuro destes centros porque os nossos deficientes precisam do nosso apoio e nós não os podemos desiludir. O caminho faz–se caminhando, com rigor e boa fé, tendo sempre em atenção que nos nossos centros acolhemos pessoas particularmente frágeis como são os deficientes profundos.

* Provedor da Misericórdia de Pombal e administrador delegado do Centro João Paulo I. Artigo publicado no jornal Voz das Misericórdias.

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