
Dona Brites de Lara e Meneses foi a primeira filha do 1º Duque de Vila Real e 4º Conde de Alcoutim, D. Manuel de Meneses e de sua mulher D. Maria da Silva. Irmã do 5º Conde, D. Miguel Luís de Meneses, falecido em 1637 e do 6º e último, D. Luís de Noronha e Meneses, degolado em 1641.Era assim neta dos Condes de Alcoutim. Teve fama de ser muito formosa e inteligente.
Por Fernando Ferreira Dias *
Casou com D. Pedro de Médicis, príncipe da Toscana, Cavaleiro do Tosão e que já era viúvo, e era filho de Cosme de Médicis, Grão-Duque da Toscana e da Duquesa D. Leonor de Toledo, tendo vivido na Corte de Madrid.
Era viúvo porque em 1571 casou-se com a sua prima Leonor Álvarez de Toledo, filha do seu tio materno Garcia Álvarez de Toledo y Osório e era um homem reservado e de caráter sombrio, com fama de ser pessoa violenta, viciosa, prepotente e perdulário, que levou a sua mulher se relacionasse com um Bernardo, da nobre família florentina Antinori. Quando descobriu decidiu-se livrar de uma vez por todas, de Leonor, que considerava um obstáculo à sua vida dissoluta, escolhendo o modo mais brutal: ficando sozinho com ela na residência estrangulou-a num acesso de ira, com as suas próprias mãos, como está relatado em cronicas da época. O pobre Bernardo foi preso e acabou por morrer na prisão, sem ser acusado de nada.
Cosme de Médicis resolveu então afastá-lo de Florença, mandando-o para Espanha, onde permaneceu pelo menos até 1578 e onde a sua fama violenta não parou de crescer, quer no jogo, na bebida e nas mulheres.
Em 1579 foi nomeado General de infantaria das tropas italianas destacadas em Espanha e torna-se o embaixador florentino naquele estado. Em 1580, torna-se o lugar-tenente da infantaria italiana na expedição que o rei Filipe II dirige contra Portugal. Sabe-se da sua presença em Lisboa.
Este casamento deu ao Pedro de Médicis segurança mais do ponto de vista económico do que emocional, pois continuou a frequentar a sua cortesã favorita Antónia Caravajal, de quem teve cinco filhos ilegítimos e bem com um filho de Maria della Ribera.
Dona Beatriz de Lara e Meneses, separada do marido continuou a viver na Corte Espanhola, onde tinha uma grande rede de relações pessoais e amizades, tendo voltado para Portugal só após ter enviuvado.
Fixou-se em Aveiro onde tinha casa fidalga, e comprou à volta desta, casas e quintais, incluindo a parte da antiga judiaria. Após a Revolução de 1640 e com a conspiração do ano seguinte onde foram implicados e justiçados o irmão, 6º Conde de Alcoutim e o sobrinho, 2º Duque de Caminha, recolheram-se alguns familiares ao seu palacete que se tornou centro mal visto pela nova governação política, tendo-lhe sido negada autorização para converter a sua casa em convento feminino.
Sem descendência, ingressou como freira no Mosteiro de Jesus. Por ser possuidora de muitos “cabedais” patrocinou também as obras do convento masculino destes religiosos na mesma e então vila que começou a funcionar em 1820.É na fachada da Igreja do Carmo que existe o Brazão dos Médicis, acima referido.
Ela legou o palácio ao sobrinho D. Raimundo de Lencastre, quinto duque de Aveiro, para nele ser instalado o dito convento o que só veio a acontecer em 1657, já depois da sua morte, por concessão da regente D. Luísa de Gusmão.
Morreu a 4 de Junho de 1648 no Mosteiro de Jesus tendo vivido mais de 40 anos em Aveiro que chorou a sua morte pois todos lhe deviam memória de bem-fazer. O seu túmulo encontra-se na Igreja do Convento do Carmo.
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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