Daniel Rodrigues.

Daniel Rodrigues nasceu em 1931, na pequena aldeia de Ariz, nas Terras da Lapa, passou pelo Seminário de Beja e estabeleceu-se em Aveiro como funcionário judicial, como estagiário em São João da Madeira, e já efetivo no de Aveiro, sendo correspondente de várias publicações.

Por Fernando Ferreira Dias *

Como jornalista, trabalhou durante três décadas no “Comércio do Porto” e no “Diário Popular”, tendo exercido, também, as funções de director-adjunto do “Correio do Vouga”.

Distinguiu-se como repórter em todo o Distrito de Aveiro, e não só. As suas reportagens caracterizaram-se pelo humanismo com que enfrentava as realidades, denunciando injustiças e promovendo as pretensões que considerava legítimas das populações. Era um homem que não olhava a homens ou a cargos, mas apenas a verdade.

Quando abriu foi o diretor da Delegação de Aveiro do “Comércio do Porto “e também da Delegação do “Diário Popular”, sempre presente e ativo.
Teve um grande desgosto quando viu fechar a sua “delegação” do Comercio do Porto, jornal que ele ajudou a engrandecer na cidade de Aveiro e região. E assistiu a fim do velho jornal centenário do Porto.

Destacam-se reportagens que dedicou à defesa dos interesses da Gafanha da Nazaré, sobretudo param a sua elevação a Vila e Cidade. Também, entre muitas outras, as que escreveu sobre o Préstimo e Talhadas e os seus baldios, célebres ficaram também as suas reportagens sobre a linha ferroviária do Vale do Vouga, e o seu comboio, carinhosamente designado por «Vouguinha», que depois foram compiladas no livro «Vouga arriba» e sobre o Salgado aveirense. Ajudou a que se tornasse publica a causa de construção do IP5. Não ficou indiferente aos Congressos Republicanos, ao 25 de Abril e sempre escreveu mesmo com a Censura as suas crónicas. Nessa altura, foi o único jornalista da região de Aveiro que entrevistou o general Costa Gomes, o então presidente da república.

Fez varias reportagens no estrangeiro: no Chile, fez reportagens sob vigilância policial, no tempo do Pinochet. Lá, através da Igreja, conseguiu falar com viúvas, mães e filhas de gente que desapareceu sob a ditadura. No Brasil, fez reportagens, que ficaram célebres, nas favelas, como também as que fez nos bairros de lata que se estendem em redor da Caracas, na Venezuela.

Teve atividade religiosa como diácono junto dos Ciganos, fez parte da direção do “Correio do Vouga”, foi a Cuba, para mais uma série de reportagens sobre a visita de João Paulo II à ilha e ao sonho de um regime sem classes de Fidel Castro.

Foi o decano dos jornalistas aveirenses e grande amigo de João Sarabando e morreu no dia 29 de Novembro de 2010, na cidade de Aveiro.

* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.

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