Cidade de Aveiro.

Quando na década de sessenta o construtor civil Mário Sindão deu corpo ao projecto do empresário José Maria Vilarinho, ‘cai n’água” ‘de alcunha, os aveirenses não pararam de opinar sobre a dimensão e altura do baptizado “arranha céus’ que no gaveto da Av. Araújo e Silva com a rua de Ílhavo, contracenava com o cogumelo da polícia de viação e trânsito, de três metros de pé direito, posto que em várias dimensões controlava as entradas na cidade, vindas de sul; até então na rua de Ílhavo, hoje Mário Sacramento, só a volumetria do depósito da água era impactante. que foi construído em terrenos de vocação agrícola centenária, bem como o Liceu Nacional de Aveiro, nas imediações.

Por Manuel Pacheco *

Parado o falatório sobre o prédio, até porque do centro da cidade o mesmo não se vislumbrava, os aveirenses ficaram descansados quanto à servidão de vistas.
Eis quando, por essa época o empresário João Nunes da Rocha de larga visão industrial, e escudado na sua carpintaria mecânica no lugar do Bonsucesso, arranca com as casas pré-fabricadas que viriam a ganhar posição no consórcio internacional Zanco, para a instalação em Cahora Bassa – Songo –  Moçambique, dos estaleiros para o pessoal que operava naquele grande projecto da África austral. O Nunes da Rocha tendo fornecido a cofragem, caixilharia de madeira, portas e apainelados para o Pinho Sindão para a construção do ‘arranha céus, por espírito competitivo, não lhe queria ficar atrás e irrompe com a megalómana ideia da construção de uma torre no ilhote do côjo, a inserir ou não, no plano director municipal do Edil Eng⁰ Henrique Mascarenhas.

A ideia da torre recebeu por duas ocasiões o lançamento da primeira pedra, com honras civis, filarmónicas, foguetório e bênçãos, chamadas de primeira página na imprensa regional, morreu e ainda bem, às portas do cemitério velho, por circunstâncias de natureza económico financeiras, que não vêm aqui ao caso. Naquele ilhote denominado de selva nos tempos modernos, surgiu o Fórum Aveiro durante a gestão municipal do Dr. Girão Pereira, que dignifica a Cidade, e aqui aplica-se o ditado “guardado está o bocado…” para fruição dos aveirenses e visitantes.

Depois a cidade recebe na Avenida principal outro prédio de altura significativa, comparada com a do edificado da década de quarenta, o prédio do industrial Severim Duarte, que serviu durante alguns anos à instalação da Caixa de Previdência de Aveiro, e que agora alberga a Autoridade Tributária do Distrito, que acolheu todo o pessoal vindo dos barracões contíguos aos Serviços Municipalizados, ali pela rua Comandante Rocha e Cunha.

Num ápice estas instalações tornaram-se exíguas para tanto pessoal técnico e administrativo, e então surge a megalomania, agora do Estado, com a construção em profundidade e altura, da Segurança Social, encimada por uma ‘gaiola de periquitos’, possivelmente creio, por troca de créditos sobre a empresa construtora do regime, a Soares da Costa.

Fomos assim a reboque de Viseu, que também já tinha edificado um mamarracho de tamanha envergadura, a chocar com os monumentos dos séculos XII a XVII nomeadamente a Sé de Viseu e Museu Grão Vasco, tal como no edificado de Aveiro a sobrepor-se à Igreja do Carmo e ao Bairro da Beira Mar, cujas construções ainda eram de rés do chão, primeiro e quando muito segundo, andares.

E o falatório continuou aquando também da implantação dos outros ‘cogumelos’ do bairro, os edifícios Vera-Cruz e Veneza, este emperrado por anos no seu acabamento, e agora com as costas quentes de mais onze andares do edifício “Lumínea” a arrancar do chão em breve.

Os d’Aveiro a espaços, indignavam-se com esses disparates edificados em território chão nos aspectos construtivos, mas o ferro e cimento sempre tiveram mais força, do que os munícipes e assim surge também a torre na Forca-Vouga do industrial Roque Júnior e ainda a torre do Aprígio que deixou a CGD pendurada, adjacente à rotunda do Oita.
Aqui chegados, sobra-nos ainda o mamarracho inacabado e vandalizado na confluência da rua Eng. Oudinot com a Avenida Dr. Lourenço Peixinho, há anos por demolir na vertente ilegal do projecto, mas em vias de resolução contractual e de propriedade, segundo afirmaram as más-línguas nos últimos ‘consistorium’.

Para acabar em beleza!? do consulado da Edilidade – diga-se em abono da verdade e de vontade democrática expressa nas urnas, mas não se pode fazer tudo – surge agora a escassos dias de novo rumo autárquico, a ideia de discutir publicamente! o mamarracho a enterrar no cais do paraíso, qual farol de Aveiro, reclamado nome pelos Ílhavos; agora sim é caso para citar aquela popular estória da lâmpada de Ílhavo, “quem te há de limpar por semelhante preço.

Agora sim, estamos falados de mamarrachos, esperando que não se repita tamanho despautério. E assim vai o Mundo, tiroli.

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