
Num mundo cada vez mais interligado, a capacidade de nos comunicarmos em diversas línguas nunca foi tão valorizada. Só na União Europeia encontramos mais de sessenta línguas, constituindo, por isso, uma riqueza cultural fundamental. Mas como podemos nós, enquanto cidadãos da União Europeia, aproveitar essa diversidade linguística?
Por Francisco Luís da Rocha *
A UNESCO reconheceu, em 2017, que as línguas não são apenas ferramentas de comunicação: são instrumentos essenciais para garantir direitos e liberdades, incluindo a liberdade de expressão e a participação ativa na vida sociedade.
Como podemos então tirar partido desta diversidade linguística?
Desde os primórdios da construção da União Europeia, tem sido uma prioridade preservar e promover a diversidade cultural e linguística. O Tratado de Roma, assim como o Tratado de Maastricht, destacam a importância do plurilinguismo na educação como um pilar para a coesão social. Contudo, a pergunta que se coloca é: estaremos todos a beneficiar desta riqueza cultural?
É neste contexto que surge, em 2001, o Portefólio Europeu de Línguas (PEL), uma iniciativa do Conselho da Europa que visa, entre outras, fomentar e apoiar a aprendizagem de várias línguas, dentro e fora do sistema escolar.
Mas o que é exatamente este portefólio?
Mais do que um simples documento, ele representa uma ferramenta inovadora que encoraja a aprendizagem de línguas e facilita a mobilidade de cidadãos europeus. Imagine-se ter um espaço pessoal onde se podem registar as experiências e aprendizagens e refletir sobre o nosso percurso linguístico.
O PEL divide-se em três partes essenciais:
O Passaporte de línguas, onde se registam as competências e experiências interculturais, inclui uma grelha de autoavaliação que permite ver claramente o que já aprendemos e os exames que realizámos;
A Biografia linguística, com descritores em várias línguas, facilita o reconhecimento das suas capacidades, especialmente para quem está a aprender português como língua não materna;
O Dossier, um espaço onde se podem guardar reflexões e materiais que se consideram importantes para a aprendizagem linguística e cultural.
A importância do PEL vai muito além do simples registo de aprendizagens. Ele promove as competências linguísticas, mas também incentiva a ter uma atitude crítica sobre aquilo que se aprendeu. Ao utilizá-lo, é possível observar como cada experiência contribui para o nosso enriquecimento pessoal e profissional, tornando-nos mais conscientes da nossa própria evolução.
Neste contexto, como pode o Portefólio Europeu de Línguas potenciar a nossa aprendizagem e crescimento?
Ao adotar esta ferramenta, não só se reforçam as competências linguísticas, como também se contribui para uma Europa mais coesa e multicultural. Ao valorizarmos a diversidade linguística e cultural que nos rodeia, estamos a abrir portas a novas oportunidades e a enriquecer a nossa experiência de vida.
*Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado no site UA.pt.
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