“Saibamos reunir forças para contrariar a incerteza dos próximos tempos”

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AHRESP (arquivo).
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O número das empresas em potencial situação de risco foi também mais expressivo no setor do Alojamento e Restauração, em que a percentagem de empresas com resultados líquidos negativos passou de 45,7% em 2019 para 67,3% em 2020.

Por Mário Pereira Gonçalves *

De acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística, o emprego em Portugal voltou a bater máximos da década no terceiro trimestre deste ano. Mas esta não é, infelizmente, a realidade vivida nas atividades económicas da restauração e similares e do alojamento turístico.

No que toca aos nossos setores de atividade em particular, no 3º trimestre de 2021 registou-se um decréscimo de 35,7 mil trabalhadores face ao 3º trimestre de 2020
(-12,5%), a segunda maior quebra registada entre todos os setores de atividade, que contraria a tendência geral de crescimento da população empregada observada a nível nacional. E se compararmos com o 3º trimestre de 2019, no Canal HORECA há menos 85 mil postos de trabalho.

No caso específico da Restauração e Similares, o cenário é mais alarmante, pois foram perdidos 12,6 mil postos de trabalho entre o 2.º e o 3.º trimestres de 2021, uma situação sem precedentes nos últimos anos, uma vez que, devido à natureza sazonal das nossas atividades, é comum assistirmos ao aumento da população empregada no nosso setor durante os meses de verão.

O Banco de Portugal também não traz boas notícias, confirmando que, em 2020, o volume de negócios das empresas a nível nacional caiu 9,7%. Esta diminuição, transversal à maioria das empresas, foi mais acentuada nos setores mais afetados pela pandemia de COVID-19, nomeadamente no Alojamento e Restauração, que registou uma quebra de 42,5%.

O número das empresas em potencial situação de risco foi também mais expressivo no setor do Alojamento e Restauração, em que a percentagem de empresas com resultados líquidos negativos passou de 45,7% em 2019 para 67,3% em 2020. Quase metade (42,7%) do setor fechou o ano de 2020 com capitais próprios negativos (empresas cujo valor do passivo superou o valor do ativo), uma situação muito preocupante se considerarmos que a maioria das medidas de apoio e financiamento colocam como requisito a obrigatoriedade de demonstrar capitais próprios positivos.

Este é o cenário com que os novos Órgãos Sociais da AHRESP, que tomaram posse no dia 29 de outubro, se deparam atualmente. Os desafios durante o próximo triénio 2021-2024 são inúmeros, mas estamos empenhados em cumprir arduamente o programa de mandato. Vamos assentar o nosso trabalho em três eixos estratégicos: Empresas, Pessoas e Gastronomia, com um plano de ações que permita reconstruir, modernizar e reforçar a importância das nossas atividades na economia nacional.

Temos no nosso DNA a resistência e estamos motivados, mesmo perante muitas incertezas nos próximos tempos. Mas sabemos que o nosso tecido empresarial é de uma resiliência inigualável, como se constatou este último ano e meio.

Para sermos bem sucedidos é imprescindível que as nossas atividades económicas continuem a aceder a apoios específicos e com critérios de acesso realistas, para que seja possível a reposição dos capitais próprios nos níveis pré-pandemia.

Agora que todos esperamos o início da retoma, e depois de tantos esforços por parte das nossas empresas, empresários, e também do Governo, é absolutamente vital que os apoios continuem a chegar à economia real e nos ajudem a ultrapassar esta crise sem precedentes.

* Presidente da Presidente da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. Artigo publicado originalmente na revista online ‘Manual de Negócios’.

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