1º de Maio: Devemos tanto aos trabalhadores

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1º de Maio.

A crise pandémica fez-nos ver com quem realmente podemos contar. Se durante este período critico da nossa vida coletiva, foi possível manter o país a funcionar, isso deveu-se ao esforço das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Por João Moniz *

Este ano o dia do trabalhador vai ser diferente dos anteriores, mas não é por isso que deixa de ser importante assinalar a data. Foi a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores que construiu o estado-social e que consagrou a jornada de trabalho de 8 horas, a garantia de período de férias, o salário mínimo e tantos outros direitos e garantias essenciais à resposta à crise pandémica.

Bem sabemos que vivemos tempos difíceis.

No plano sanitário, apesar de as medidas de isolamento social terem resultado, salvaguardando a capacidade de resposta do SNS, mesmo assim muitos sucumbiram à pandemia.

No plano social, os novos desempregados inscritos no centro de emprego dispararam; em lay-off já se contabilizam mais de um milhão; mais de 100 mil viram uma perda de rendimento por estarem em casa a acompanhar os filhos e cerca de 300 mil trabalhadores a recibo verde pediram apoio por ausência de atividade. Não podemos ainda esquecer as perdas de rendimento das trabalhadoras domésticas, dos trabalhadores indocumentados e outros trabalhadores sem contrato que não constam da contabilidade oficial.

No entanto, a crise pandémica fez-nos ver com quem realmente podemos contar. Se durante este período critico da nossa vida coletiva, foi possível manter o país a funcionar, isso deveu-se ao esforço das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Foram os profissionais da saúde do SNS, os médicos e enfermeiros, auxiliares e assistentes operacionais e técnicos de limpeza que asseguraram a resposta sanitária necessária contra a pandemia do Coronavírus. Fizeram-no sob condições muito difíceis, sacrificando-se todos os dias para proteger a restante sociedade.

Foram as trabalhadoras e os trabalhadores da distribuição, do comercio e da indústria que estiveram na linha da frente desde o início, asseguraram que era garantido o acesso aos bens de consumo, alimentares e de primeira necessidade.

Foram os profissionais da escola pública que garantiram, na medida do possível, a continuidade do processo de aprendizagem dos nossos alunos. Fizeram-no em condições complexas de adaptação à nova realidade do ensino à distância.

Enquanto muitas e muitos faziam todos os esforços possíveis para manter o país a funcionar, outros distribuíam dividendos. Como é o caso da EDP que pretende distribuir 700 milhões de euros pelos seus acionistas – um valor superior aos lucros que arrecadou. Ou o caso da GALP que distribuiu dividendos no valor de 580 milhões enquanto despede trabalhadores precários.

Certamente não nos esqueceremos dos hospitais privados dos grandes grupos económicos que, em plena pandemia, decidiram fechar as portas, fugindo às suas responsabilidades ou procurando capitalizar com a pandemia à custa do erário público.

Aplaudir todas e todos estes profissionais não chega. É garantindo um subsídio de risco para todos os trabalhadores e trabalhadoras em funções essenciais com tarefas de risco, bem como o reforço do investimento nos serviços públicos, na valorização dos direitos e dos salários e na proibição dos despedimentos que se homenageia todas estas pessoas.

Com esta crise ficou claro que é a força das e dos trabalhadores que faz com que o país funcione, porque certamente não são os acionistas nem os administradores da banca e dos grandes grupos económicos, que sediaram as suas empresas em paraísos fiscais, que o fazem.

João Moniz.

* Membro do Bloco de Esquerda de Aveiro na lista da Assembleia Municipal ([email protected]).

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