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Procuram-se sapateiros de luxo
13 jan 2018, 19:11

Jovens desempregados ou candidatos ao primeiro emprego, mas também empreendedores, são os alvos de um curso, em São João da Madeira, para aprender técnicas de manufatura de calçado vitais para produzir as gamas altas.

A gama alta/luxo continua a fazer crescer o sector em Portugal, que figura, actualmente, já como o país com o segundo maior preço médio entre os principais exportadores mundiais, logo a seguir à Itália.

A necessidade de incorporar neste tipo de produção muitas tarefas feitas artesanalmente - um par de sapatos de luxo pode levar mais de duas centenas de intervenções manuais -, motiva um esforço de formação específica.

É preciso voltar a ensinar os candidatos a operários as técnicas antigas que a aposta, entretanto muito refreada, em produções de grandes séries de calçado barato quase fizeram desaparecer.

Por isso, o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP) abriu um curso piloto de “manufatura de calçado de alta gama/luxo”, na cidade de São João da Madeira, que começa a dar formação ainda este mês. A poucos dias, a lotação estava quase esgotada.

A indústria portuguesa deseja atrair futuros técnicos para as tarefas semi-artesanais, onde as máquinas são complementares, sem descurar competências novas, sobretudo aquelas que estejam ligadas às tecnologias, para conseguir “rejuvenescer”.Uma via para conseguir dar continuidade à tradição, e necessária transmissão de conhecimento dos sapateiros mais antigos que laboram nas fábricas, ajudando as novas gerações a atingirem um novo patamar de competências.

O curso surge “para colmatar as carências de ´skills´ tidas como absolutamente necessárias para as empresas que operam ou queiram vir a operar no segmento de gama alta/luxo, mas servirá também para continuar a abrir horizontes e despertar motivações, novos interesses, em redor do calçado", reforçou Flora Gomes, directora de comunicação do CTCP.

Com 350 novas marcas lançadas na última década, uma boa parte delas especializadas justamente em artigos de gamas médias/altas, a indústria tem de prosseguir o trabalho de captar novos talentos para não baixar a fasquia.

O foco, desta vez, é na parte técnica, depois do trabalho de formação iniciado com as “Jornadas do Luxo” que foram dinamizadas durante o ano passado para quadros e estudantes das áreas da produção, marketing e design.

O calçado de luxo é a coroa de glória de qualquer marca, mas tem exigências grandes, alerta Pedro Moreira, responsável pela área de qualidade do CTCP.“O design, a forma como o produto é comunicado, o acabamento das peles, tudo isto é muito importante. Todos os detalhes são relevantes para o produto se posicionar neste segmento”, disse, tornando evidente que não há margem para deixar insatisfeitos os clientes que compram o calçado mais caro, com preços, por vezes, fixado nas centenas de euros.

Aumentar a empregabilidade e a competitividade do sector

A oficina "High-end-shoe", organizada no âmbito do CTCP Qualifica, abre portas na cidade sanjoanense com um programa de 140 horas de formação destinadas a jovens desempregados, candidatos ao primeiro emprego, mas também a profissionais com outros perfis, como designers e até empreendedores.

“Estamos empenhados nos segmentos de maior valor acrescentado, de luxo; em competir com os melhores sem ser pelo preço baixo. Por isso, as empresas especializaram-se em couro. Hoje 85% das exportações são neste segmento nobre, para ser uma grande referência internacional”, refere Paulo Gonçalves, porta-voz da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado (APICCAPS).

Os resultados mostram que é está a ser o caminho certo. As empresas que fabricam calçado em Portugal viram as vendas fora de portas crescer nos últimos sete anos 55%, ultrapassando cerca de 1200 milhões de euros no ano findo. A fileira do calçado em Portugal criou mais de 9.000 postos de trabalho desde 2010.Com participação gratuita, o novo curso de calçado pretende dar competências na área de desenvolvimento, manufatura e venda de calçado de alto nível de diferenciação, com design inovador e funcionalidades específicas. 

A oficina "High-end-shoe" quer ser mais um contributo para ajudar a aumentar a empregabilidade e elevar a competitividade do setor em geral. A formação de mão de obra especializada decorrerá a partir de 15 de Janeiro em “ligação a outras iniciativas similares e transferência de know-how” que estão planeadas. Foram programadas para já 112 horas de formação em sala/oficina/workshops e 28 horas em regime e-learning.

Os formandos desempregados terão direito a um subsídio de alimentação por cada dia frequentado e subsídio de transporte. A oficina é promovida pelo CTCP no âmbito do projeto Contratos Locais de Desenvolvimento Social - 3G (CLDS – 3G) de Santa Maria da Feira. Por isso, é dada prioridade a jovens daquele concelho.

Calçado do futuro conjuga-se todos os dias no presente

Criado há 30 anos, o CTCP é a entidade por onde passa grande parte da investigação & desenvolvimento (I&D) de muitas marcas nacionais, entre muitas outras actividades.

Um mini atelier fabril funcionou em Agosto acolhendo o primeiro curso de Verão, que contou com cerca de uma dezena de jovens estudantes. Diana, aluna do ensino secundário, filha de gaspeadeira, uma das profissões mais tradicionais da indústria do calçado “aproveitou para adquirir bases que podem ajudar” no curso de design que pretende seguir.

O CTCP está agora a criar em São João da Madeira um espaço para a formação em regime ´fab lab´ no âmbito do projeto Step2footure, estrutura a apresentar em breve que apoiará os novos talentos a produzirem os seus protótipos.Na cidade que é um dos principais núcleos industriais do sector no País, o calçado do futuro conjuga-se todos os dias no presente. 

“É necessário investir em calçado com características novas, que acrescente algo de novo ao calçado português, para que seja cada vez melhor em termos de conforto, de durabilidade, de comportamento perante chuva, frio ou mesmo calor”, exemplificou Leandro Melo, director-geral do CTCP.

 

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