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Festejos de São Gonçalinho "continuam centrados nas tradições"
09 jan 2018, 22:01

César Carvalho, juiz da mordomia de São Gonçalinho, deve ser um dos homens mais atarefados da cidade de Aveiro por estes dias.

"Há sempre coisas para resolver", justifica o responsável da comissão de festas em honra do padroeiro das gentes da Beira Mar. A atual equipa, que cumpre o segundo e último ano antes de passar o testemunho, foi reforçada de 19 para 21 mordomos "devido ao trabalho que já representa."

Na véspera do primeiro de seis dias de festas, exceptuando a imprevisibilidade das condições climatéricas, está praticamente tudo organizado para cumprir a tradição que ganhou contornos de romaria.

O alargamento da agenda de concertos de música, com tenda montada junto ao Rossio (ver programa em artigo relacionado), fez disparar a afluência de gente à cidade dos canais. "Vemos muitos forasteiros, sabemos que gostam e regressam a cada ano com outras pessoas", referiu César Carvalho.

A mordomia assume a componente de animação musical como aposta forte do programa transformado em atração turística, afastando, contudo, riscos de descaracterização dos festejos que "continuam centrados nas tradições" mais enraizadas no bairro histórico com eventos ao longo do ano (cortejo das pastoras e peddy paper para angariação de fundos, por exemplo).

O arremesso das cavacas do alto da capela, não sendo a única, tem a adesão maior. "É algo muito nosso, há-de continuar a ser marcante, especialmente para quem continua a cumprir assim as suas promessas", lembra César Carvalho.

A missa de sábado, com o Bispo de Aveiro, D. António Moiteiro, é um dos principais momentos religiosos.

Particularidades artísticas

As festas têm ainda particularidades artísticas que lhe conferem originalidade: a litografia do São Gonçalinho repete-se a cada ano com um quadro diferente. A de 2018 é da autoria de Lúcia Seabra. 150 exemplares já esgotados. Já a peça Vista Alegre tem desenhos do pintor Rui Campos. Na antiga Capitania está em exposição uma coleção muito completa de obras de arte produzidas ao longo dos anos.

Oficialmente, estão marcadas quase 45 horas para lançar cavacas até segunda-feira, mas a envolvência popular para cumprir o ritual vai obrigar a tempo extra nas madrugadas para tantas subidas e descidas.

A fechar, o último dia recebe a visita das escolas para ajudar a despetar o interesse das novas gerações.

Muitas semanas a fabricar cavacas para a festa

O preço das cavacas estabilizou nos cinco euros o quilo desde há alguns anos, movimentando, ainda assim, uma pequena fortuna. "Várias toneladas", o número concreto é difícil de contabilizar, estão encomendadas "com tempo em diferentes fornecedores que trabalharam muitas semanas seguidas" para satisfazer a procura.

Aos que comparecem com apetrechos para apanhar melhor as ofertas arremessadas, a mordomia pede que sejam comedidos e deixem espaço a outros que também queiram deitar a mão.

Faça sol ou chuva, milhares de visitantes vão atirar o doce de farinha muito duro para cumprir a tradição secular e pagar promessas ao "santo menino", a quem são atribuídas curas em questões de saúde, como problemas ósseos. Mas também tem fama de casamenteiro.

Um misto de religiosidade cristã e rituais pagãos.  Os devotos de São Gonçalinho avisam quem deixar promessas por cumprir pelas graças dadas. "Segundo dizem, é um santo muito milagreiro, mas muito vingativo. se disserem mal dele, castiga".

Quando o sino toca a rebate, populares concentram-se de guarda-chuvas e camaroeiros, num cenário único, para apanhar as ofertas lançadas da cúpula da capela.

Outra das tradições é a "dança dos mancos", um ritual profano tolerado pela Igreja que é feito "em segredo" no interior da capela, consistindo precisamente numa coreografia em que os mordomos fingem deformações nas pernas e nos braços, cuja origem se perde nos tempos (mais informação aqui).

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07 jan 2018, 22:29 Aveiro: Festas do São Gonçalinho 2018
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