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Incêndios, mundo rural e desafios futuros
08 jan 2018, 22:18

Muito do que julgávamos saber sobre a gestão do território, a prevenção e o combate de incêndios rurais, a salvaguarda de bens e pessoas e a gestão de risco está desajustado.

Revista Linhas *

Ausência de ordenamento e de gestão do território, desumanização do interior, seca e fenómenos meteorológicos atípicos. Os ingredientes tornaram 2017 num ano malogradamente marcado pelos incêndios. Em artigo de opinião, Carlos Fonseca, professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e perito da Comissão Técnica Independente criada pela Assembleia da República, aponta algumas das estratégias a seguir para que as tragédias de 2017 não se repitam.

Dois mil e dezassete ficará marcado como um ano excecional em termos de incêndios rurais em Portugal. A ausência generalizada de uma real e verdadeira estratégia de ordenamento e gestão territorial de médio-longo prazo, a crescente desumanização do interior do país, associados às condições extremas de secura e a fenómenos meteorológicos atípicos que ocorreram, contribuíram para o extraordinário número de ignições, para as tremendas perdas de vidas humanas e de bens e para a maior área ardida num só ano alguma vez registada em Portugal, com os consequentes impactos ambientais, sociais e económicos que lhe estão associados.

O que aconteceu neste ano serviu também para constatarmos que muito do que julgávamos saber sobre a gestão do território, a prevenção e o combate de incêndios rurais, a salvaguarda e segurança de bens e pessoas e a gestão de risco em situações extremas está desajustado, eventualmente desatualizado face à realidade do país. Estes acontecimentos expuseram muitas fragilidades e vulnerabilidades do sistema, do Mundo Rural, do país e deverão, acima de tudo, servir como a derradeira oportunidade de aprendizagem para refletirmos e repensarmos o que queremos para o futuro do país, nomeadamente das suas regiões mais interiores e ditas de baixa densidade.

A estatística demográfica nacional tem vindo a confirmar a gradual redução do número de residentes no interior do país, com consequências múltiplas, particularmente na ausência e abandono do território, numa maior tendência para usos dos solos com monoculturas não geridas, num maior número de aldeias esvaziadas de gente, de vida, aumentando as casas devolutas e as áreas de matos e de arvoredo espontâneo nos terrenos abandonados marginais e no interior dos aglomerados populacionais.

Assim, o futuro do Mundo Rural português terá de passar prioritariamente pela melhoria de condições de vida que possibilite a fixação de pessoas no interior do país, sobretudo de jovens, a atração de capital humano e de investimento, ao qual deverá estar associada uma estratégia para o ordenamento e gestão da ruralidade nacional, tendo em vista a sua rentabilidade económica, social e ambiental.

Os modelos de desenvolvimento rural, de gestão territorial, de coesão nacional e de valorização do interior do país têm vindo a ser desenvolvidos ao longo dos últimos anos havendo, contudo, uma (ainda) reduzida taxa de aplicação. Os instrumentos legais e financeiros existentes constituem um importante suporte devendo, todavia, ser ajustados às diferentes realidades do interior do país. As estratégias deverão integrar:

_ a dinamização de atividades económicas que gerem empregos e uma maior ocupação do território, melhorando-se, simultaneamente, as condições de vida (educação, saúde, etc.) para quem vive, pretende fixar-se e viver no interior do país;

_ a implementação de usos agro silvo-pastoris do solo em redor dos aglomerados populacionais que possibilitem a obtenção de rentabilidades económicas e dinâmicas de comunidade em torno da produtividade, dos serviços dos ecossistemas e de outros setores relevantes como o turismo e a valorização de produtos endógenos;

_ a sensibilização e educação das populações rurais sobre matérias relacionadas com a floresta, os usos do solo, o fogo, a autoproteção e de como reagir em situações de risco, salvaguardando a sua integridade física.

Estes três caminhos são essenciais para a necessária mudança de comportamentos e mentalidades que permitirão, a médio-longo prazo e de uma forma gradual, a estruturação de um Mundo Rural mais equilibrado, atrativo e com maior qualidade de vida.

* Artigo publicado na edição número 28 da revista editada pela Univerisidade de Aveiro.


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