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Opinião: A indústria automóvel e o trabalho
22 dez 2017, 17:50

Portugal não pode ter um modelo de desenvolvimento, também na indústria automóvel instalada, em que os trabalhadores sejam engrenagem desumanizada, com menos direitos, gerações empobrecidas e desvalorizadas.

Filipe Guerra *

Ao longo dos últimos meses, têm sido notícia constante as relações laborais na indústria automóvel em Portugal. Com uma observação atenta aos diversos casos, facilmente se revela que, é sempre o factor trabalho que está debaixo de uma enorme pressão.

Atentemos a dois casos, um pelo mediatismo que tem atingido e outro pela proximidade: a Volkswagen/AutoEuropa e a Cacia/Renault, respectivamente.

Comecemos pelo elemento comum a ambos, o seu sucesso. No caso da CACIA/Renault, ainda o ano passado foi consagrada como a "melhor fábrica de caixas de velocidade do grupo Renault-Nissan", até com promessa de mais 100 milhões de investimento com a criação de mais 150 postos de trabalho. Também na Volkswagen/Autoeuropa o quadro positivo é semelhante, segundo o seu administrador Thomas Ulbrich "A Autoeuropa é parte da família da Volkswagen e, quero dizê-lo com toda a clareza, sentimo-nos bem em Portugal", anunciando-se novo projecto, o modelo T-Roc, e mais mil novos funcionários.

Ora, se dos bons resultados se esperam consequências, e quando logicamente seria expectável uma justa compensação e reconhecimento ao indispensável papel que os trabalhadores destas empresas e indústrias tiveram no sucesso alcançado, a verdade é que não é nada disso que se verifica. Bem pelo contrário.

No caso da CACIA/Renault, surgiram cartas e pressões sobre os trabalhadores para que viabilizassem um novo Acordo de Empresa. Verificou-se a implementação do Banco de Horas, a desregulação da vida profissional e familiar dos trabalhadores, a aceleração dos ritmos de trabalho, as rescisões de contratos e contratação por salários mais baixos e o recurso crescente ao trabalho precário e sub-contratado(não por acaso prevê a empresa gastar menos em salários em 2020 que hoje). E pasme-se, é dos custo de contexto(energia ou portagens por exemplo) que a Administração da empresa mais se queixa.

No caso da AutoEuropa após consecutivas concessões dos trabalhadores aos sacrifícios impostos pela Empresa, a Administração pretende impor imediatamente e à revelia dos trabalhadores(que desta vez corajosamente bateram o pé) o trabalho diário ao Sábado e cortes nas horas extraordinárias.

Em ambas as empresas os objectivos de produção são cumpridos, em ambas as empresas os direitos dos trabalhadores são primeiro pressionados, depois chantageados(a useira e vezeira falaciosa deslocalização) e finalmente trucidados.

Portugal não pode ter um modelo de desenvolvimento, também na indústria automóvel instalada, em que os trabalhadores sejam engrenagem desumanizada, em que as gerações se sucedem cada vez com menos direitos, empobrecidas e desvalorizadas no seu papel indispensável na produção de riqueza. Da mesma forma, não é aceitável que multinacionais se arroguem no direito de chantagear populações, países e governos como aves de rapina, que além de lucros e benefícios fiscais até direitos laborais pretendem levar.`

* Jurista, eleito do PCP na Assembleia Municipal de Aveiro.

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