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Opinião: Portugal ardeu. E depois ?
17 nov 2017, 18:10

Lamentavelmente, e não obstante a evidência de todos o saberem, legislatura após legislatura, ninguém quis ou não teve a coragem de colocar o dedo na ferida.

Por Paulo Marques *

Vivemos, recentemente, dois dos momentos mais conturbados e marcantes da história dos incêndios em Portugal.

Depois da contenda, fizeram-se estatísticas para todos os gostos, relatórios sem fim, análise política, análise financeira, repetiram-se debates com a temática de sempre, causas e consequências de uma tragédia que se repete ano após ano.

Enquanto as autarquias atingidas pelo flagelo se desdobravam estoicamente para acudir às suas populações, demonstrando, na prática, uma total e evidente falta de recursos, a primeira preocupação dos líderes partidários foi retirar dividendos políticos.

Fizeram-se inquéritos, atribuíram-se responsabilidades, aproveitando o governo para sacudir a água do capote e a oposição para atacar um dos muitos pontos fracos de uma “Geringonça” que nunca o deixou de ser.

Exceção à regra, um Presidente da República que, sem cerimónias, manias ou convicção de pertencer a uma “casta” diferente, vestiu a pele do povo, saiu à rua no momento certo. No âmbito das suas competências, apoiou como devia e podia. Quer se goste ou não do estilo, demonstrou que um Presidente de Gabinete não faz falta nenhuma aos portugueses.
Os líderes partidários copiaram, tardiamente, a iniciativa.

Efetivamente, qualquer cidadão conclui que a política de contratualização de meios aéreos deveria ser repensada.

Lamentavelmente, e não obstante a evidência de todos o saberem, legislatura após legislatura, ninguém quis ou não teve a coragem de colocar o dedo na ferida, alertar para o facto de que, enquanto houver empresas privadas à espera de serem contratadas para combater os fogos, estaremos sempre a falar de um negócio que precisa de ser estimulado para ser rentável. E mais não digo.

Enquanto não houver uma fiscalização eficaz, questionando, por exemplo, quantas e quais as entidades, empresas, particulares, que se encontram numa situação de ilegalidade, para comercializarem as madeiras que restam da área ardida, tudo ficará na mesma.

Recursos humanos? Há quem afirme que Guardas Florestais, postos de vigilância, são coisas do passado. Pelos vistos, fizeram muita falta. Que o diga quem tudo perdeu.

O Exército apareceu no fim do ato, quando tudo já tinha ardido. Caso para dizer, obrigado, mas já não é preciso. Esperemos que o Governo tenha retirado alguma conclusão.

E os milhares de reclusos que, por pequenos delitos, poderiam, por via de trabalho comunitário, em trabalho de equipa com outras entidades, fazer serviço de vigilância das florestas, refletindo-se essa sua participação na redução de penas?

Povo solidário… até quando?

Como Povo solidário, os portugueses corresponderam às expetativas, aliás, como sempre. Abriram-se contas bancárias com a finalidade de obter fundos destinados a apoiar empresas, famílias, corporações de bombeiros, realizaram-se jogos e torneios, até a Seleção Nacional fez a sua parte.

Porém, “não há bela sem senão”. Cedo surgiram notícias duvidosas quanto ao total de fundos solidários, relatando incertezas quanto ao número de iniciativas, quais e quantas as instituições responsáveis, quais os montantes em causa. Mais grave, paira o fumo da desconfiança quando se pergunta pela localização de algumas dessas verbas.

Lamentavelmente, a dissipação do “fumo” que paira sobre esta questão tarda a acontecer e, especialmente por parte daqueles que deram o seu contributo, eis que se instala a desconfiança quanto à boa utilização das verbas granjeadas.

Finalmente, a desconfiança deu lugar à ideia de que alguém se está a governar à custa do histórico sentido de partilha dos portugueses. Muitos de nós questionarão se a solidariedade não terá limites.

Brandas Leis…


Escusam de tentar tapar o sol com a peneira. Não esquecendo comprovada origem de muitos incêndios, a maioria dos fogos surgiram durante a noite, de forma concertada e premeditada.

Positivamente, ao mesmo tempo que se combatiam os fogos, foram surgindo notícias de detenção de incendiários, uns suspeitos, outros, apanhados em flagrante delito.

Lamentavelmente, mesmo tendo sido apanhados em flagrante delito, mesmo tendo-se comprovado o facto de terem sido responsáveis pela destruição de património público e privado, com as catastróficas consequências que todos conhecemos, mesmo tendo às suas costas o enorme peso da responsabilidade pela morte de dezenas de pessoas, eis que, brandas leis, acontece o inacreditável.

Pasme-se, como reclusos exemplares, em resultado da sua boa conduta enquanto presidiários, a julgar pela tradição, serão presenteados com as saídas precárias, acabando, muitos deles, por não cumprir as suas penas até ao fim.

Caso para perguntar: Portugal ardeu. E depois ?

* Licenciado em Comunicação, gerente comercial, foi vogal do CDS na Assembleia Municipal de Aveiro (2013-2017)

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