Ex-dirigentes do Beira-Mar penhoraram, a 3 de Julho passado, parte do complexo das piscinas municipais que o clube explora como forma de garantir o pagamento de uma dívida que rondará 2 milhões de euros por conta de empréstimos pessoais feitos entre 2005 e 2008.
A acção da antiga direcção liderada por Artur Filipe abrange a piscina coberta e balneários, instalações excluídas pela Câmara do negócio feito a 18 de Julho, mediante o qual vendeu ao clube por 1,2 milhões de euros a área do complexo correspondente às piscinas descobertas e terrenos adjacentes.
O acordo resultou do protocolo em que a autarquia se compromete a pagar em espécie parte da dívida para com o Beira-Mar resultante de compromissos financeiros assumidos pela exploração do novo estádio, entre outros, ao longo de vários anos que totalizam 15 milhões de euros.
O Beira-Mar revendeu no mesmo dia por 2,5 milhões de euros a parcela em causa, localizada numa zona nobre da cidade, a uma empresa imobiliária, a Nível II, de quem já tinha recebido um sinal de 500 mil euros e outras garantias de pagamento.
Além dos contornos políticos, dado o envolvimento de dois vereadores camarários (Miguel Capão Filipe e Caetano Alves) entre o grupo de ex-dirigentes credores, o negócio está a gerar controvérsia já que o Beira-Mar, até quarta-feira, ainda não tinha pago o terreno por terem sido detectadas irregularidades na emissão do respectivo cheque, o que poderá vir a configurar ilícitos.
A penhora da piscina coberta e balneários pode obrigar o promotor imobiliário, caso pretenda revender a propriedade com maior potencial de valorização para actividade comercial e lúdica, como está previsto, a um entendimento prévio com os autores da acção.
O advogado dos antigos dirigentes deu, entretanto, um prazo à actual comissão administrativa, que expira no final da semana, para apresentar “uma proposta de pagamento” dos empréstimos pessoais.
Segundo declarou Armindo Sequeira, a abertura “para um entendimento” assumida pelos seus clientes não encontrou “resposta”, admitindo, por isso, “o recurso aos tribunais”.
Ao processo judicial, a confirmar-se, junta-se a duas penhoras movidas pelos antigos directores abrangendo já “todo os bens e património” do clube, entre os quais o pavilhão e a sede, bem como de eventuais receitas a obter através de pagamentos da empresa municipal que gere o estádio.