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"As tecnologias criam problemas de emprego não qualificado"
13 jan 2017, 13:16

Rui Aguiar, professor e investigador da Universidade de Aveiro,  está à frente do grupo europeu de peritos a quem cabe orientar o investimento para  desenvolver as telecomunicações do futuro.

Qual foi o seu percurso no mundo académico ?
Vim para a Universidade de Aveiro (UA) como aluno para trabalhar precisamente com telecomunicações.
Tirei a licenciatura, depois fui aluno do primeiro mestrado. Seguiu-se o doutoramento. Comecei a trabalhar muito nas telecomunicações na parte da camada física. Refletindo o que acontecia no mundo do sector. Fui subindo nas camadas de telecomunicações, agora trabalho nas redes e mesmo aplicações.

Em poucos anos, asistimos a uma grande revolução.
É uma mudança inacreditável. Como aluno deslocado ia à cabine telefónica ligar para casa. Isto é surreal para os meus alunos, que têm uma noção de
conetividade em permanência, algo normal para ele. Hoje falo com os meus filhos pelas mais diferentes forma, por sms, skipe ou vídeo.

De qualquer forma, o desenvolvimento tecnológico não surge de um momento para o outro.
As pessoas têm tendência a pensar que os novos telemóveis e os sistemas de comunicação aparecem de forma mágica no mercado. Antes é necessário muito trabalho preparatório dessas tecnologias magníficas que dão origem ao skipe, whatsapp, aos telemóveis 56 ou as capacidades da ´´Internet das Coisas ´que hoje ouvimos fala.

Entrou em funções como chair da Networld2020 European Technology Platform (ETP), que tarefa desempenha este grupo de peritos ?
É uma associação europeia com cerca de mil entidades, três quartos dos sócios são empresas, incluindo as maiores do sector das telecomunicações do mundo. Dedica-se a tentar desenhar um plano de investigação temporizada para diferentes tipos de tecnologias para termos produtos e aplicações.

E qual a atual prioridade ?
Agora fala-se muito nas redes 5G, que vão aparecer entre 2018 e 2020. Mas o grupo já trabalha nisto desde há cinco anos. Nesta nova tecnologia e nos passos que era necessário dar, articulando os planos de investimento privados e públicos. Só na parte final surgem os produtos no mercado.

Qual o potencial do 5G ?
Quando planeámos o 5G sabia-se que ia ser a próxima geração, mas não era uma ideia muito clara. Agora na parte final há uma pressão comercial muito grande. Houve uma reconstrução. Terá maior capacidade de largura de banda, mas rapidamente será a rede para a ´Internet das Coisas´, para todos os dispostivos que irão estar interligados pela rede móvel. Será algo normal ligar o carro pela Internet, para aquecer antes de sair de casa. Vamos integrar as capacidades de multimédia atuais e outros dispositivos. A monitorização do coração ou o consumo elétrico de casa.
Colocam-se muitos cenários no 5G, agora discute-se até que ponto serão legais. Por exemplo, aceita-se monitorizar idosos, se estão bem de saúde em casa, serviços orientados para o bem estar. A minha mãe gostaria muito que eu soubesse se ela caiu. Mas não vejo que os nossos filhos sintam-se confortáveis por algo do género, que permita saber onde estão a cada momento.
A nossa vida pode tornar-se um livro aberto para o fornecedor da tecnologia. A reposta que o grupo faz é também aplicar mecanismos para mitigar este impacto social.

O 5G vai permitir desenvolver a chamada ´Indústria 4.0´.
Uma das aplicações alvo do 5G é essa. Estender o ambiente da fábrica para os escritórios, por exemplo. Terá a vantagem de quando estiver implementado o operador fornecer serviços para diferentes clientes com diferentes mercados, desde o grande empresário agrícola que tem campos de estufas até ao pequeno produtor de gado. Aliás, temos aqui em Aveiro um projeto para a monitorização de gado bovino disperso na serra. Mas também aplicações para o turismo,  uso de veículos, saúde, enfim, teremos o aparecimento de soluções de contetividade diferenciada para múltiplos ambientes, a preços muito competitivos.
Na Europa, temos a visão de desenvolvimento do 5G como componente de uma infratestrutura que temos de possuir para sermos competitivos, para suportar mais serviços, garantir maior desenvolvimento económico e mais qualidade de vida dos cidadãos.

Mais emprego ?
As telecomunicações criam muito emprego. São empresas com largas dezenas de milhar de empregos, qualificados, diferenciados. As outras áreas económicas beneficiam diretamente das tecnologias. Fazemos um desenvolvimento orientado nesse sentido, de criar benefícios.

E as aplicações não vão fazer como a robótica, eliminar postos de trabalho ?
É uma grande discussão, interessante, com algumas ideias erradas. Estas tecnologias criam problemas de emprego, mas de emprego não qualificado. Existe um mercado altamente qualificado para satisfazer. Agora não é fácil reconverter um operário de manufactura têxtil em técnico de suporte à máquina que faz essa tarefa. Há cada vez mais necessidade de emprego com necessidades técnicas. A reconversão das pessoas é um desafio, para que continuem a ser úteis e melhorarem as suas capacidades e contribuição.

Destaque

"O IT é uma das instituições mais respeitadas em termos internacionais. A minha eleição é o reconhecimento deste trabalho feito em Portugal" [ouvir declarações nas galerias relacionadas]

Primeiro português a liderar a Networld2020

Rui Aguiar, professor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro (DETI-UA) e investigador do Instituto de
Telecomunicações (IT-Aveiro), é o primeiro académico e o primeiro português a liderar a Networld2020 European Technology Platform (ETP), a associação
europeia dedicada à estruturação da investigação a médio prazo em comunicações, influenciando programas de investigação nacionais e internacionais.
A Networld2020 tem cerca de 1000 instituições-membro, entre os quais cerca de 700 empresas, e 200 instituições de investigação (institutos e universidades). Os vice-chairs, também eleitos, são provenientes de empresas bem conhecidas, como a Samsung e a Huawei.

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