A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) decide, até quarta-feira próxima, se terá haverá uma orientação comum de manter a tradicional tolerância de ponto que o Governo anunciou não dar aos funcionários públicos.
"Ainda não posso antecipar, mas entre terça e quarta-feira devo saber. Estamos a tentar coordenar alguma decisão, antes tenho de ver o que cada um está a pensar e consultar os privados, as maiores empresas, por exemplo", disse ontem ao DN o presidente do conselho executivo da Região de Aveiro da qual fazem parte 11 concelhos.
Em Ílhavo, autarquia a que preside Ribau Esteves, a tolerância de ponto abrangia segunda e terça-feira. Outras Câmaras, como Estarreja e Ovar, seguiam "a tradição do Estado", ou seja"dar a terça-feira".
É já público que Estarreja e Ovar, localidades com corsos carnavalescos relevantes, não vão seguir a orientação do Governo.
"A questão nem é essa, quem vai ao carnaval não apenas os vareiros e o estarrejenses, são de terras vizinhas e não só", disse o edil de Ílhavo, concelho que tem um desfile, em Vale de Ílhavo, "muito popular" mas a uma escala sem a dimensão dos vizinhos.
Ribau Esteves, que está a cumprir o seu último mandato na autarquia, já que não poderá voltar a ser candidato, "discorda completamente" da decisão governamental.
Primeiro a razão a que atribui "mais importância": a terça-feira de carnaval " é na prática, há muitos anos, um feriado, não só no setor público como privado". "Alguns passam a ideia que só os funcionários públicos é que não trabalhavam, isso não é verdade", vincou o ex-secretário.geral do PSD.
Em segundo lugar, o facto do Governo ter anunciado não dar tolerância de ponto em cima dos festejos carnavalescos. "Tinha de avisar com um ano de antecedência", afirmou, lembrando os investimentos de "milhões de euros" neste tipo de evento que sem o desfile no último dia "torna-se uma penalização muito grave".
Por isso, se o Governo pretendia acabar com o feriado não oficial, atendendo às dificuldades do País, deveria ser com a antecedência de duas semanas para não por em causa "o direito à brincadeira e não apenas a austeridade pura e dura".
Ribau Esteves admitiu que, caso tivesse sido anunciado que não haveria tolerância de ponto em 2013 teria o seu apoio. "Depois as pessoas organizam-se como podia, encontrando programas alternativas para o desfile de terça-feira", explicou.
Ainda assim, o presidente da Região de Aveiro não vê que esta medida, isolada, possa melhorar a produtivadade dos funcionários públicos. "Diz-se muia asneira, não é por se trabalhar mais um dia, dois ou três que se produz mais", concluiu.