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Aveiro: Apresentação de projeto de ponte antes de ouvir munícipes
02 Fev 2012, 21:13

Câmara antecipou-se à mobilização contra a ponte pedonal no canal central na reunião pública, quinta-feira à noite, organizando nova apresentação do projeto.

Cerca de 150 pessoas esgotaram por completo a sala dos paços de concelho, deixando muitas outras sem lugar no exterior, admite-se, a esmagadora maioria determinados em travar a localização do atravessamento pedonal entre o Rossio e o Alboi.

O presidente da edilidade na sua primeira intervenção, fazendo “o enquadramento”, lembrou que repescou “a ideia” na base do Parque da Sustentabilidade (PdS), um contínuo “verde”, dos tempos em que Girão Pereira estava à frente do município, há 30 anos.

Élio Maia não se referiu, de inicio, em concreto à controvérsia ponte pedonal, limitando-se a fazer o historial do projeto que avançou no papel durante o segundo semestre de 2009, motivou o concurso    internacional ganho por um arquiteto inglês e o contrato de financiamento (80%) assinado.

O autarca independente da coligação PSD-CDS destacou “a participação” dos diversos parceiros envolvidos no PdS, considerada “a maior riqueza das obras que irão ser feitas, ou não”.

Com alguma impaciência entre a assistência, que pretendia entrar logo no motivo da convocação do movimento de cidadãos, a ponte pedonal já em fase de instalação do estaleiro, seguiram-se intervenções de técnicos da autarquia envolvidos no programa, à semelhança do que sucedera numa Assembleia Municipal.

Discurso direto

“Com a ponte, a quantidade de pessoas, os horários e as razões comprometem o silêncio. Eu temo uma nova Praça do Peixe. Até ao lavar dos cestos é vídima. Senhora Vereador Maria da Luz Nolasco, gostava de ter esta ponte a desaguar no seu bairro ?” - moradora no Alboi.

“Apelo à Câmara para que tome a decisão política de suspender a ponte, para que não seja mais um problema a somar a todos os outros que ali existem.
Não existe nenhum estudo de acabar com a bondade da barreira que existe atualmente, averiguar os efeitos da ligação da Praça do Peixe, e do que ali existe, ao Alboi.
Deve servir para promover a mobilidade. Não conhecemos o plano de mobilidade, sem o qual está a ser colocado no terreno uma ponte e deveia ter em conta isso como pré-requisito” - Gil Moreira.

“A cidade é memória coletiva, é por causa disso que estou aqui. Contra esta ponte, neste lugar, é o interesse de muitas pessoas aqui.
Até este dia acreditei que a Câmara iria recuar a um ataque ao coração da cidade. Não nos une, mais divide. Precisamos daquele lugar como está”- Paulo Lousinha. 

“As melhores pontes são a tolerância e a cidadania. O elencar de prioridades está mal elaborado. A ponte é o expoente máximo e péssimo da mobilidade. Ganhar eleições não dá o direito de lesar o interesse público. Cancele o pontão” - Manuel Pacheco.

“A Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARHC) publicou um edital que a obra precisa de parecer prévio. Os cidadãos têm 30 dias para se pronunciar. Afinal há mais razões do que conheciamos para equacionar a ponte. Não são as razões legais que nos movem, não se pode construir uma cidade contra dos cidadãos, o dinheiro da UE exige que o saibamos gastar. Apelamos à paragem para reflexão e equacionar cenários alternativos para gastar 600 mil euros numa cidade com as deficiências que esta tem. Consturir com os cidadãos é uma alternativa” - José Carlos Mota.

“Sou a favor. Sobre estética não me pronuncio. Encaro com naturalidade serem mais os contra. Mas vem unir e aproximar. Permite aproveitar potencialidades ainda por explorar. Já lá existe uma discoteca há muito. A atividade pedonal pode ser dissuasora e as vantagens suplantarem as desvantagens” - Rui Amorim.

“Sou a favor da ponte. Felizmente abandonou a estrada pelo jardim. Moro na José Rabumba, tinha o sonho em pequena de ir para a Feira de Março antiga. A minha mãe não me deixa pela ponte praça porque era perigosa. Apetecia-me atravessar agora para ir apanhar sol. Ainda há muito canal para ver. Ninguém fala das pontes que obrigaram a cortar as proas dos moliceiros  – Graciete Peixinho. 

“Porque não foi incluído o jardiim do Rossio ?” - Gustavo Tavares.
 
“Não faça uma ponte, mas um túnel” - Cidadão.

“Sou pintor, a ponte ali é uma falta de sensibilidade tremenda” - Cidadão.

“Quando soube disse ao meu marido: Dava-nos tanto jeito ter uma ponte, para ir mais rápido do Albói ao Rossio” - Moradora no Alboi.

“Sou a favor. Há coisas que são fundamentais preservar. É um projeto válido. Esta câmara vai pô-lo no terreno, depois de cumprir todos os passos, mesmo quem tenta obstaculizar. Os cidadãos não se deixam representar por movimentos que têm uma agenda escondidas” - Diogo Machado.

“Estou chocado. É o ex libris de Aveiro. 90% das pessoas estão contra. Ainda vamos a tempo de salvar o canal central? Digam se vão ou não mudar, é isso que queremos ouvir” - Carlos Naia.

“Os portugueses reagem mal à novidade. Aveiro é achincalhado porque lancetaram o nosso moliceiro. As pessoas acharam normal. Fui fazer barulho, antes das pontes. Sou a favor. As fotografias que saem são da nova ponte em diante. Daqui a dez anos falamos” - Liz Silva.

(em atualização)

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Notícias Relaccionadas
03 Fev 2012, 00:08 Ponte pedonal no canal central é para "avançar já" - Élio Maia
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