No dia em que soube que tem de responder em julgamento, a maior preocupação de Manuel Godinho continuava a ser alterar as medidas de coação para retomar os negócios (c/áudio).
O juiz Carlos Alexandre decidiu levar a julgamento os 36 arguidos acusados pelo Ministério Público (34 pessoas e duas empresas) por alegados casos de corrupção e outros crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar. Entre os arguidos surge também Armando Vara, ex-administrador do banco Millenium BCP, que está acusado de três crimes de tráfico de influências. José Penedos, ex-presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais) está acusado de dois crimes de corrupção e dois de participação económica em negócio. O filho de José Penedos, Paulo Penedos, também vai a julgamento. Manuel Godinho, foi o único arguido que esteve em prisão preventiva (um ano e quatro meses).
Como soube que ia a julgamento ?
Vi, estava a dar em directo na televisão. Depois ligaram-me de Lisboa a dizer o que se tinha passado.
O que tem a dizer ?
Fiquei um bocado triste, mas por manterem-me em Esmoriz. Sou uma pessoa que tem muita responsabilidade, são mais de 600 famílias a sustentar de pessoas que temos de pagar.
Eu precisava de trabalhar, isso é que me põe triste. As pessoas não entendem isso. Por isso, vamos continuar a pedir para mudar as medidas de coação.
Não sei como está o processo, nunca o li. Nem me preocupei com o processo. Isso é com os advogados. Cabe aos juizes decidirem.
A minha parte está cumprida.
Trabalho desde muito novo, a conduzir camiões. Agora com 55 anos não merecia ser tratado desta forma.
Terá mais uma oportunidade de provar a sua inocência.
Não estou preocupado com o julgamento, acredito na justiça. Os documentos dizem tudo, nem vou precisar de falar.
Chegava ao final do mês e via como andavam os negócios, se fossem resultados positivos tudo bem. Se eram negativos, tinha de chamar à responsbilidade as pessoas responsáveis pelos serviços. Era o que eu fazia, ver como as coisas andavam no final de cada mês. E arranjar trabalho, era a minha preocupação.
Isto agora vai ser esclarecido. Os documentos falam por si. Eu falar ? Praticamente não tenho nada a falar. Na certeza que cada contrato tem o seu dossiê, é isso que nos vamos defender [ouvir resumo nas galerias relacionadas].
As acusações são inventadas ?
Acho que a justiça não inventa. O mal, que é próprio dos portugueses, é que há muitos que em vez se serem ambiocosos são invejosos. O problema reside aí. Inveja, cartas anónimas a que se dão tanta importância. Acho que parte da concorrência, os invejosos, não sei.
Há arguídos a mais no processo ?
Há gente a mais para ir a julgamento. Algumas não conheço. Está um Contradanças que eu nunca falei com ele pessoalmente. Não o conheço.
Receia ser condenado ?
Não sou pessoa de receios, estou completamente tranquilo. Sei como trabalhei a minha vida toda, fui sempre uma pessoa séria e cumpridora. Aconteceu isto aos 55 anos.
Apontam-se pagamentos de favores em negócios, nomeadamente pela alegada ajuda de Armando Vara.
O dr. Armando Vara é uma pessoa que se eu chegasse à beira dele com dinheiro, num envolepe, naquele momento perdia o amigo. Para mim, é uma pessoa séria. Quando ia para à terra dele, a mãe fazia uns enchidos que eu gostava imenso e oferecia-me. Eu leva-lhe um pão-de-ló de Ovar quando ia a Lisboa. Só baseado nisso. Ele zelava os interesses da CGD e eu os meus, das minhas empresas [ouvir resumo nas galerias relacionadas].
Os contratos beneficiavam as suas empresas ?
Parece impossível quando dizem que os concursos eram forjados ou por baixo da mesa. Não é verdade, no concurso público todos os concorrentes assistem à abertura das propostas, vamos apresentar a nossa defesa com base nisso.
Se for analisar vê isso, as pessoas não querem perceber.
Continuamos a ganhar e vamos ganhar, não nos derrotam desta forma. Vou ser mais agressivo no mercado, de certeza. Se os outros não ganhavam era por falta de capacidade. Num concurso, da antiga Oliva, recentemente, demos mais 500 mil euros que outros concorrentes.
Ganhámos porque tínhamos capacidade técnica e financeira.
Admite processar o Estado ?
A justiça tem de ser feita, não estou acima das leis. Nunca farei pedido de indemnização ao Estado [ouvir resumo nas galerias relacionadas].