Técnicos, autarcas e representantes do comércio local deitaram pernas a caminho para avaliar as condições, ou falta delas, de zonas pedonais.
Conclui-se que o centro urbano, na freguesia da Vera Cruz, tem boas características para quem gosta de andar a pé, como se prova a toda hora, especialmente por visitantes, mas também foram deixadas sugestões que, sem grande investimento, podem tornar a cidade um caso exemplar.
“Testamos os obstáculos que as pessoas enfrentam constantemente, estamos sensíveis para ir fazendo correcções”, garantiu o vereador Carlos Santos após a iniciativa integrada na semana da mobilidade .
Os serviços camarários têm, de resto, “ordem” para actuar logo que são identificadas deficiências. “Tapamos buracos e arranjamos passeios diariamente”, disse o autarca. Apesar das dificuldades da manutenção, por exemplo, da calçada portuguesa.
Durante o percurso que ligou o Fórum Aveiro à emblemática Praça do Peixe foi visto à lupa o estado dos passeios, apontados conflitos “potenciais” com o trânsito, analisado o estado da sinalética, especialmente o estado das passadeiras, níveis de ruído e até a existência de sombras ou de casas de banho públicas (uma das queixas habitualmente mais referidas).
Notas acima da média
Mário Alves, especialista que lidera a equipa técnica da auditoria, atribuiu no final uma “nota média” na parte inicial (Fórum Aveiro / Rossio), devido aos atravessamentos e pontes. Já a segunda parte (Bairro da Beira Mar / Praça do Peixe) levou “nota alta”, sendo um percurso tido como “óptimo” para quem anda a pé.
Em ambos os casos, existem vários parques de estacionamento, incluindo gratuitos, que precisam de ser melhor aproveitados.
A demografia (plana), a paisagem urbana (canais da ria ou o edificado Arte Nova) convidam a deixar o carro.
Os dados recolhidos vão ser agora tratados para criar o índice da pedonalidade (walkability audit) de Aveiro, uma das tarefas que o município local se comprometeu a levar a cabo no âmbito do projecto europeu Active Acess
É a única cidade portuguesa entre 15 parceiros de 13 países que desde Agosto do ano passado trabalham conjuntamente para aumentar a circulação pedonal, alterando, para isso, comportamentos de residentes e visitantes.
Até ao final do projecto, em 2012, além de acções “no terreno”, sobretudo medidas correctivas, será lançado um manual de boas práticas que permita mudar hábitos e mentalidades, de moradores e de quem passa.
“Não são grandes obras, com intervenções simples e baratas resolvem-se problemas antigos”, disse Mário Alves. Pequenas rampas para facilitar mobilidade de cadeiras de rodas ou carrinhos de bebé, por exemplo.
A sensibilização para a boa limpeza dos passeios é outra prioridade. Dizem os estudos que os dejectos de animais são uma das queixas recorrentes dos peões.
“Aveiro é uma zona onde se fez bastante investimento na pedonanização”, notou o técnico, pedindo “atenção”, paradoxalmente, para zonas de expansão urbana mais recentes que descuraram as passadeiras e “têm desenhos mais a pensar nos automóveis”.
Comerciantes a favor
Jorge Silva, presidente da Associação Comercial de Aveiro, garantiu “a colaboração total” do sector ao projecto. “Mais não fosse porque as zonas pedonais têm uma agitação forte”, contrariando outros pontos da cidade “comercialmente a definhar”, como a principal artéria da cidade (Avenida Lourenço Peixinho).
Aliás, como alertaram os técnicos, fachadas e ruas “sem vida” cansam os peões.