“Saiu-nos o Euromilhões”, desabafou Maria de Lurdes, 54 anos, ao contemplar, com o marido, em silêncio, um cenário que não hesitou em classificar de “dantesco”.
O casal de Oliveira de Azeméis, que seguia para visitar familiares em Viseu, escapou ileso ao choque em cadeia.
“O nevoeiro cerrou mesmo, havia uma chuva miudínha, e deparámos com um incêndio à nossa frente”.
Quase não deu para abrandar, nem perceber o que se passava. “Bateram-nos na traseira e empurrámos outro carro já a arder”, contou Maria de Lurdes confessando que se sentira "nervosa" pouco antes do acidente com a velocidade e falta de cuidado de condutores em manter a distância entre viaturas [ouvir resumo de declarações em anexo].
Um outro condutor, que rumava a Bragança com a família, também viveu esses momentos dramáticos.
“De um momento para outro não via dois metros”. Parou a marcha e acabaria envolvido no choque.
“Eram carros a bater na traseira e o camião da frente a alastrar fogo, ainda com a família dentro”. Sairam todos a tempo de fugir às chamas que destruiram a viatura ligeira.
Ainda viu um carro ao lado, com dois carbonizados (pai e filho menor). “Ali já não havia nada a fazer”, lamentou.
Teria sido possível evitar a tragédia ? “A culpa não é de ninguem, não deu tempo a antecipar”, referiu o condutor.
Os primeiros bombeiros a chegar, vindos de Vouzela, encontraram “pessoas a gritar, em completo pânico” na estrada.
Os incêndios “complicaram muito” a resposta inicial dos meios de socorros a que se seguiu mobilização geral, contou um dos operacionais envolvidos.
Um veículo a gás terá embatido num dos pesados. O choque em cadeia libertou combustível. Ouviram-se explosões, de pneus e bateriais. O fogo alastrou a carros a trabalhar, que ardera, por completo num cenário de guerra.
De um deles, os bombeiros retiraram dois carbonizados (um adulto e criança). No mesmo sentido, a lamentar ainda a morte de uma senhora, noutra viatura ligeira apanhada na rectaguarda a um dos dois pesados envolvidos.