A recriação histórica alusiva ao centenário da República, envolvendo alunos de escolas de Aveiro, vai mesmo contar entre os grupos que retratam episódios, instituições ou personalidades de algumas dezenas de figurantes a representar a Mocidade Portuguesa (MP),informou fonte da organização.
“Houve apenas um pai, a título individual, que se manifestou contra a participação da filha com aquela indumentária”, esclareceu Alcina Moura, professora do Agrupamento de Escolas de Aveiro e coordenadora do projecto de comemoração da efeméride que terá como ponto alto o desfile de quarta-feira à tarde em vários locais da cidade.
A docente garante que se tratou de um caso isolado entre os alunos e alunas de três turmas do quarto ano da escola do 1º ciclo das Barrocas escolhidas para tomar parte na parada envergando réplicas de fardas , a entoar o hino da MP e de mão esticada.
A polémica estalou quando o deputado do Bloco de Esquerda eleito por Aveiro, Pedro Soares, questionou o Ministério da Educação, através de requerimento entregue na Assembleia da República.
O parlamentar bloquista insurgiu-se contra o que qualificou como “exercício inaceitável de revivalismo do Estado Novo”, obrigando alunos menores “a serem actores num acto laudatório e acrítico de uma página negra da História de Portugal”.
A representante do Agrupamento de Escolas de Aveiro estranhou as críticas de Pedro Soares a quem acusa de “fazer uso de informação errada” na tomada de posição “sem questionar antes” os promotores.
“Tenho pena que isto suceda ao fim de tantos anos em liberdade e democracia. Não nos deu oportunidade de explicar o projecto”, lamentou Alcina Moura.
Maria da Luz Nolasco, vereadora da Câmara de Aveiro, mostrou-se solidária com a organização do evento “Rever Cem Anos de História” com alunos do primeiro ciclo e jardins-de-infância que conta com apoio logístico do município para o evento.
“Não há motivo para polémica”, disse, reduzindo a contestação “a um caso pontual”, lembrando que o desfile inclui a recriação de “episódios felizes e outros infelizes” ao longo do primeiro século da República como o regicídio, os congressos da oposição democrática ou a revolução de 25 de Abril.
A actividade com 1.200 alunos terá lugar em locais, ruas e praças com significado histórico associado à época ou que pela sua toponímia fazem alusão a alguma personalidade que também se destacou no decorrer deste ultimo século.