“O aumento de impostos é, afinal, para consolidar o orçamento ou financiar grandes obras ?”. Paulo Portas questionou, em sobressalto, o lançamento de um novo concurso para a terceira travessia sobre o Tejo dentro de seis meses.
O líder do CDS, que falava sábado à tarde em Albergaria-A-Velha, após uma visita à misericórdia local, indignou-se com a “política de zig zag” do Governo no que toca a grandes investimentos públicos “que não são exequíveis neste momento”.
“Para que é a subida do IVA, do IRS, a penalização das famílias e empresas ? Julguei que seria para equlibrar as finanças”, comentou, mantendo o tom interrogativo.
O Governo “apanhou-se com o voto do PSD” para aumentar os impostos “e já está outra vez no projecto das grandes obras”. Por isso, o CDS exige “de uma vez por todas” que seja apresentado “o calendário com o que é urgente e não urgente”.
Mas há outra questão que Paulo Portas não vai “de certeza” deixar de pôr ao Primeiro-Ministro na Assembleia da República. “Anseio pela chegada do debate da próxima semana”.
O presidente do CDS não esquece a resposta de José Sócrates a 10 de Fevereiro quando propôs “um gesto de coragem”, levando políticos e gestores públicos a abdicarem de um mês de salário. “Agora vou perguntar: sempre vai cortar 5%? Quem era o demagogo, irresponsável e populista?”.
A “diferença” é que o Governo “dá 40% de corte nos salários e o CDS queria 100%”.
O PSD não fica à margem das críticas, porque “fez campanha contra o aumento de impostos e acabou a ceder ao PS” no pagamento especial por conto, no corte de deduções com saúde e educação “e agora no aumento do IVA e IRS”.
Rendimento de inserção com mais rigor
Paulo Portas anunciou ainda o agendamento potestativo para quinta-feira de uma reforça do rendimento de inserção social.
O CDS quer acabar com as renovações automáticas, exigindo que o beneficiário faça prova de necessitar da ajuda. Os adultos terão de aceitar fazer trabalho social. “O que se poupar em fraudes, uma parte é para as pensões dos idosos”, defendeu Paulo Portas.
Testemunhar o papel das misericórdias
Portas esteve em Albergaria-A-Velha para “dar testemunho” do trabalho Santa Casa da Misericórdia. “Como aqui foi dito, o Estado a certa hora da tarde fecha mas as Misericórdias continuam, são estas instituições especialmente relevantes da sociedade portuguesa que tratam dos mais velhos e dos mais pobres”, enalteceu.
A Misericórdia de Albergaria-A-Velha está a construir um novo lar, com centro de dia, com apoio da Segurança Social (programa Pares).
1,3 milhões de euros de investimento no antigo hospital para concluir em Outubro / Novembro. São mais 40 camas que ficarão disponíveis para acolher idosos.