Aveiro | 20-NOV-2009 23:58
“Face Oculta”: Paulo Penedos indiciado por um crime de tráfico de influências

Mais três arguidos presentes a tribunal. Paulo Penedos e Lopes Barreira concluiram diligências.



Paulo Penedos foi o quarto arguido do processo “Face Oculta” obrigado a pagar caução, no caso 25.000 euros.

O advogado de Coimbra, que era consultor jurídico de uma das empresas de Manuel Godinho está, ainda, proibido de contactar outros arguidos, com a excepção do seu pai, José Penedos, presidente da empresa pública Redes Energéticas Nacionais (REN).

Ficou, igualmente, proibido de contactar funcionários da REN e mesmo de frequentar as instações da empresa estatal.

Medidas de coacção consideradas pelo advogado de Paulo Penedos como “razoáveis e equilibradas”.

O Ministério Público requereu, sem sucesso, a proibição de sair do País, como foi norma até ao momento. “Tem 40 anos, filhos e precisa de continuar a ganhar a vida”, justificou o advogado.

Sá Fernandes considerou como “nocivas” para “a imagem de Paulo Penedos” notícias veiculadas entre os dois dias de interrogatórios, e que teriam a ver com a alegada falta de capacidade financeira do arguido para suportar uma caução maior, na ordem dos 200 mil euros.

O Ministério Público tinha imputado dois crimes de tráfico de influência, mas o juiz de instrução criminal, António da Costa Gomes, entendeu indiciar apenas um.

“Aceitamos que pode haver indicios relativamente a um crime, o tribunal aceitou esse ponto de vista”, explicou Ricardo Sá Fernandes.

Um caso que tem a ver com a REN, acrescentou o advogado, sem explicitar.
Não estarão em causa, de acordo com o advogado do arguido, as verbas (270 mil euros) recebidas de Manuel Godinho como contrapartidas para, alegadamente, facultar informação privilegiada sobre concursos e consultas públicas.

Mais dois arguidos ouvidos

António Paulo Almeida da Costa, quadro da Galp suspeito de ter recebido um Mercedes em troca de favorecimento de Manuel Godinho, também passou pelo juizo de instrução criminal de Aveiro, onde regressa dia 26.

Fernando Lopes Barreira da Costa, consultor, empresário e membro fundador da Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária também compareceu durante a tarde em tribunal.

O interrogatório terminou, pelas 19:00, mas a defesa não autorizou a divulgação das medidas de coacção.

O 14º arguido a ser presente ao juiz de instrução criminal saiu, de resto, em silêncio.
Era o único em falta do leque de elementos identificados pelo Ministério Público como fazendo parte da suposta rede tentacular criada por Manuel Godinho para obter benefícios em favor das suas empresas de sucatas e limpezas industriais.

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